pressa e atenção…
Tropecei numa máxima que me pode ajudar muito, apressado que sou. Diz: “o apressado como crú”…
Tropecei numa máxima que me pode ajudar muito, apressado que sou. Diz: “o apressado como crú”…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se o Salmo 32
«A Terra está cheia da bondade do Senhor»
Sermos capazes de ver e saborear as coisas boas é um elemento fundamental do nosso crescimento espiritual. Os Santos, em particular, são contemplativos, isto é, tentam ver com os olhos de Deus. Podemos olhar a nossa vida, os outros, a História, as situações e a Terra, salientando no que vemos “a bondade do Senhor”, conforme as palavras do Salmo. Não somos ingénuos e sabemos da existência do mal, dentro e fora de nós. Mas não conseguimos caminhar sem “atestar o depósito” da alegria, com a “bondade do Senhor”. Há uma palavra curiosa, neste contexto, que se pode convocar: a “abundancialidade” (da criação contínua…).
PS: Há uma linguagem própria das escrituras e da religiosidade, que pode precisar de resignificação. A expressão “Senhor”, por exemplo, pode ser encarada e vivida espiritualmente como um caminho de recentramento no que é essencial, num “qualquer coisa Outro” (O Senhor – amoroso), que não eu próprio…
Vamos tentando surfar no tempo, em vez de lutar contra o tempo…
“Ainda não sei, ainda não consigo, ainda não sinto… “. Vamos morrer nestes termos, cheios de “ainda nãos”… Portanto, a graça a pedir é saber estar nesta bela e oferecida barca do “ainda não”…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Lc 1, 39-56
Maria ficou três meses com Isabel; e depois voltou para casa
Em dia de festa mariana, fazemos um recorte simples, que se justifica na celebração de Maria, cujo coração é, precisamente, a simplicidade: “Maria ficou três meses com Isabel; e depois voltou para casa“. Há alguns movimentos nesta parte final do Evangelho que hoje meditamos, que são muito inspiradores: 1) “Maria ficou”. Saberia estar. Estava ali, onde estava e onde devia estar (e eu, quando fico, fico?…); 2) “três meses com Isabel”. Foi ter com quem precisava e ali gastou tempo (e eu, dou por bem empregue o tempo que gasto com quem precisa?); 3) “voltou para casa”. Certa necessidade de um regresso a momentos de encontro, de quotidiano, porventura de descanso mas, principalmente, de encontro com Deus (e eu, regresso a casa? Será que tenho uma casa?…).
O ‘Deus nas panelas’ de Santa Teresa é muito comparável á forma solene e dedicada como o monge budista ata as cordas dos sapatos e, por essa via de entrega atenta, diz mais do que quaisquer palavras. Em tudo está um toque de sacralizar o momento presente. É a libertação que nos pode despertar a ‘atenção’, também muito referida nestes termos por Simone Weil. Tudo inspirador, em contrapartida com a habitual desatenção inerente à correria dos dias…
É este espanto-milagre que salva. Definitivamente, por graça-dádiva, as grandes viagens são interiores e não dependem de geografias, meteorologias e outras acidentalidades…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mc 4, 26-34
e a semente vai brotando e crescendo
As comparações que Jesus faz entre as metáforas agrícolas e o Seu reino são muito fecundas, mesmo neste tempo em que, infelizmente, muitas pessoas vivem longe da terra. A “semente vai brotando e crescendo” é uma referencia não só poética mas muito certeira da nossa própria vida: a valorização do processo, o tempo e a paciência que são preci(o)sos, o fruto que nasce e se desenvolve, o crescimento que robustece, a imprevisibilidade das condições, a necessidade de cuidado, a abundância eventual da colheita, a consciência da dádiva. Está aqui tudo o que podemos ser…
Os meus raros momentos (dádivas) de quase vivência esmagante de eternidade são tecidos, apesar de tudo, de entregas plenas a instantes de presença agradecida.
Se eu tivesse mesmo de ter uma obrigação (terei?), seria a obrigação de ser feliz.