novidade espiritual…
Há alguns estados de vida em que nos instalamos um pouco no já tocado. Há que evitar esse sofá espiritual porque é anti-espiritual. Tudo o que é genuinamente espiritual abre-se constantemente à novidade do crescimento…
Há alguns estados de vida em que nos instalamos um pouco no já tocado. Há que evitar esse sofá espiritual porque é anti-espiritual. Tudo o que é genuinamente espiritual abre-se constantemente à novidade do crescimento…
O passado tem um potencial imóvel (não se altera) e imobilizante (pode não fazer crescer). Depende da forma como nos colocamos diante dele (passado): ou nos constitui na rica memória e nos orienta por via de processos autocríticos construtivos, ou nos destrói e distrai, por via de comparações culpabilizantes. E se o passado é imóvel não é imóvel a forma como nos colocamos diante dele. Podemos sempre mudar de perspetiva e vê-lo a ele (passado), de outro ponto de vista. O mesmo passado pode esmagar ou libertar… O passado tem que ser trabalhado e integrado, o que se faz melhor na companhia de Alguém…
Agradeço o tempo, o espaço e neles a transcendência que habito. Agradeço também o tempo, o espaço e a transcendência que habitam em mim…
O semeador contemporâneo tem três grandes daninhas que comprometem a seara: o autocentramento, o preconceito de grupo e a omnicompetência de curto prazo…
Morrer
Não quero
Senão morrer!
ser trigo,
ser nada,
ser tudo.
Quero ser
somente (semente?),
vazio,
cheio
de mundo.
Eu quero
ser silêncio,
dar nada (que sou),
morrer.
Quero parar,
deitar-me,
passivo,
em paixão,
ao lado
dos homens,
sem respirar.
Inspirando,
inspirado
pelo amor.
Os humanos – e eu próprio, bem entendido – estão a ser criados pelo amor de Deus, que só sabe amar e criar. Existimos para reconhecer esse amor criador e, assim, dar sentido à nossa vida. O mais que foi e está a ser criado nos pode ajudar neste reconhecimento amoroso. Há que viver optando, rejeitando o que nos impede de amar e escolhendo o que nos leva ao amor. Podemos voar e pousar, pois, para além das circunstâncias: “correr bem” ou “correr mal” não depende dos acontecimentos, do nosso estado de saúde, do nosso dinheiro ou do nosso estatuto. “Correr bem”, ter uma vida boa, é tirar proveito e crescer no encalço de um bem comum. Viver intensamente é procurar e trabalhar de modo a apenas desejar, buscar e escolher aquilo que nos conduz ao reconhecimento amoroso de Deus e, assim, co-realizar o sonho do amoroso criador.
PS: Sim, é quase escandalosa esta proposta para quem não tem pão para comer. Mas este caminho, na sua prossecução, implica, precisamente, a procura de uma partilha radical e a tensão de um sentido de justiça, que levará a saciar essa fome… para que, livremente (sem fome de pão) todos possam escolher viver reconhecidamente… (um outro pão…).
Se eu me deixasse ser aquilo que posso ser, mais do que aquilo que deveria ser, seria melhor o meu ser…
A célebre frase “se te oferecerem limões faz limonada!” é plena de sabedoria. Reproduz uma límpida e luminosa atitude de conciliação com a realidade.
Para dores da vida (que nos fazem crescer) bastam as dores que a vida tem. Não precisamos de precipitar dores de crescimento porque a realidade encarrega-se de nos proporcionar tal. Da mesma forma, analogicamente, para aborrecimentos, tensões, cenários de constrangimento e de “ter que fazer sem grande motivação”, bastam as situações imprevistas. É prudente, portanto, discernir e decidir todos os convites e solicitações. Para que se diga sim ao que é mais carregado de motivação intrínseca, sentido e, assim fecundidade (mesmo que “doa”). E para que se diga não se “cheirar a esturro”, a prisão, a peso excessivo, pura obrigação exterior ou manipulação e, assim, menos ou nada fecundo…
Na senda das sugestões de Thomas Halik em ‘Paciência com Deus’, diante da incompletude e de muitos esmagamentos que nos sufocam, temos quatro grandes filões de resposta: 1- desespero e depressão; 2- adaptacionismo interesseiro (em Roma sê romano…); 3- droga-te (com várias coisas como droga, dinheiro, religião e outras coisas em dose alienante); 4 – fé. Isto é, perseverar pacientemente na crença vivida de que há um sentido.