tudo em todos
Há uma analogia matemática que nos pode ajudar a aproximar da ideia de que tudo é sagrado, de que há um certo “tudo em todos”: Deus é uma esfera infinita com o centro em todos os pontos e sem círculos (sem limite).
Há uma analogia matemática que nos pode ajudar a aproximar da ideia de que tudo é sagrado, de que há um certo “tudo em todos”: Deus é uma esfera infinita com o centro em todos os pontos e sem círculos (sem limite).
José Augusto Mourão afirma algo que me impressiona, mais do que pela humildade, pelo realismo que contém. Para este autor, dizer “Eu encontrei Deus” é obsceno. Deus livrou-nos de Deus e os que O julgam agarrar melhor fora declararem-se, no máximo, tateadores…
Da indizibilidade de Deus facilmente chegamos ao estilo útil da teologia negativa: evidenciar o que Deus não é. Muitas vezes, na teologia, na argumentação do dia-a-dia, no trabalho apostólico, nos diálogos connosco próprios, a par do silêncio, podemos usar com vantagem este caminho…
Há uma diferença entre idolatria e iconografia. Ambas as palavras se relacionam de imagem, mas a primeira está fechada em si própria, apoderando-se de Deus…
10 -43 do segundo (sub-parte do tempo inimaginável na sua pequenez) é o “tic-tac” mais pequeno que existe. É o ‘tempo de Plank’. Especula-se se terá havido uma “flutuação de vazio quântico” na parte do tempo anterior ao que conseguimos alcançar no entendimento do big-bang. Mas tal vazio, a existir, é um vazio não ontológico… O “dedo de Deus”? Está aí e em todo o lado, mas não se crê que niguém creia por via da prova científica…
A revelação divina quis ser clara mas misteriosamente demandante da nossa procura, vontade, crença e trabalho. É laboriosa, difícil, distendida e apoiada no tempo. Está a acontecer…
Convém à teologia ser autoafirmativa e não uma resposta autoritária. Por isso, sempre crítica e autocrítica. Ajuda, neste contexto, a imagem socrática da maiêutica. Estamos, como a parteira, Mãe daquele filósofo, a ajudar a nascer, a “extrair vida”, (re)fazendo e (re)dizendo… o que, porventura, já existe…
Tenho de reconhecer que, sendo Cristão, sou muito Judeu. Acredito num Deus que se quer revelar (relacionar com o Homem) e já no judeísmo, aperitivamente, Deus “fala”, “faz” e “liberta”… Em Jesus, atinge-se um (anunciado e percorrido) cume…
DEUS
Parti da aridez
do deserto.
Saltei para
o escuro.
Apostei sem ver.
Mergulhei
em mar
de dúvida.
Procurei.
Progredi apalpando
e sem sentir.
Pensei, forcei
caminhei
de olhos vendados.
Eis que caio
num banho de
mel.
Quente,
sensual,
real.
Mais óbvio que eu.
Setenta vezes
os cinco sentidos.
Certeza
Deus.
Ele, que sempre
estivera,
era mais forte
que tudo.
…in Paiva, J. C. (2000), Este gesto de Ser (poesia), Edições Sagesse, Coimbra.
acessível aqui
De quando em vez, vale a pena atualizar o esforço de tentar dizer em poucas palavras a nossa fé cristã. Por exemplo: “arriscar apoiar-se vivendo na base de um Deus-Amor, revelado em Jesus, em imersão comunitária”.