Deus tece
Deus não domina, tece…com fios que transportam a nossa própria liberdade.
Deus não domina, tece…com fios que transportam a nossa própria liberdade.
A atitude de acreditar ou não em Deus, tem uma base racional, mas esta base não é suficiente. Não é do mesmo género da base racional da filosofia ou da ciência. Não existe nenhuma prova filosófica ou científica da existência de Deus. Toma-se aqui «prova» no sentido em que se demonstra, sem margem para dúvidas, por exemplo, que a Terra tem uma forma aproximadamente esférica e gira à volta do Sol. A racionalidade da fé baseia-se, entre outras coisas, no testemunho que chega a cada geração a partir dos primeiros crentes. Este é o género de prova que é normalmente aceite, por exemplo, nos tribunais. Além da evidência empírica (um corpo morto, por exemplo, no caso de um assassínio, uma arma com que foi realizado o crime, etc.), há a evidência testemunhal. O tribunal aceita em geral o testemunho das pessoas que poderão ajudar a chegar a uma conclusão objetiva sobre o autor do crime, conclusão em que se baseia o juiz para pronunciar a sentença. É claro que as testemunhas podem mentir, mas isto não significa que a prova testemunhal não seja considerada seriamente. A experiência religiosa de quem acredita em Deus tem por isso uma base testemunhal: é a relação que tenho com os outros cristãos e com Deus que me leva a dar-lhes crédito, isto é, a acreditar neles. O cristão não tem razões para não os acreditar, naquilo que constitui o núcleo central da sua fé. Tem, pelo contrário, todas as razões para lhes dar crédito, mesmo tendo em conta que a história do cristianismo é feita de luzes e sombras…
A omnisciência de Deus, a sua perfeição, está mais no amar do que no saber, está mais no serviço do que no poder.
Pai Nosso ontologizado
Pai nosso
que estás aqui.
Sejamos
o pão para
cada outro.
Sejamos
o perdão
que nos queres dar.
Sejamos tudo em todos
além da tentação
de partir
… em pedaços
não inteiros
nem verdadeiros,
sombras de mal…
Deus tem fé em nós e por misterioso mistério arriscou criar-nos e amar-nos como seres livres, num cosmos que pulsa também as suas liberdades…
Nas suas versões mais pragmática (a própria vida…) ou mais mística (a eucaristia, por exemplo), o cristianismo, na sua montra antropológica, rasgada e aberta, pode dizer-se na simples frase: “Deus é capaz de corpo para que o homem seja capaz de Deus…”
É longa e ampla a tensão entre Deus e o Homem, entre o Cristo Homem e o Cristo Deus. Percebo a necessidade mística mas tenho receio dos seus exageros, incluindo em mim próprio. É que na procura do Eu Absoluto o Homem não pode esquecer que, se vivencia Deus, o faz dentro de si mesmo, não em Deus, mas, por Sua ação e graça, no próprio Homem.
Diz bem Pannemberg sobre o dinamismo da ressurreição: adianta o definitivo sem fechar o futuro. Certeza de sede e de água. Paradoxo vivível…
O Excesso dos excessos criou-me com a carência das carências que me permite, contudo, um reconhecimento relacionável com esse mesmo Excesso dos excessos…
Quando pretendem apoderar-se do Absoluto, alguns humanos, alguns focos religiosos, estão no caminho divergente. “Porque d’Ele lhes chegou uma centelha, pensam tê-Lo esgotado…”