Santo Inácio

Devemos a Inácio o convite a um mergulho sincero nas nossa moções interiores. Sem bipolarismo forçado, Inácio imaginou e viveu duas escolhas honestas interiores (centrado em mim / centrado em Cristo), tendo EXPERIMENTADO mais liberdade e sentido na segunda, que então buscou. Parece simples…

JP in Sem categoria 30 Julho, 2023

jesuítas…

Há um traço curioso e quase paradoxal na espiritualidade inaciana e, assim, na Companhia de Jesus: está-lhe associado um trajeto histórico e uma presença sólida na cultura, bastante “musculada”. Mas intuo que isso não se faz à custa de rigidez, mas antes de flexibilidade, intuição, rasgo, discernimento, convicção e plasticidade…

JP in Sem categoria 28 Julho, 2023

morno…

A nossa vida tensional, sempre tensional (…) é tecida de carências e de excessos (de amor). Ainda bem que assim é. Pouco espaço, portanto, para “mornices”. Por isto são boas as águas vivas e fedam as águas paradas…

JP in Sem categoria 26 Julho, 2023

erotismo e síntese

O erotismo tem um toque adicional face a outras direções coisificantes e de duvidosa beleza como a pornografia: no ‘eros’ do desejo há um encantamento que sintetiza o belo da exterioridade com o fascínio duma interioridade vivida…

 

 

JP in Frases 24 Julho, 2023

não sabemos rezar…

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Rom 8, 26-27

Da carta aos Romanos fixamo-nos nesta constatação antiga, sobre a dificuldade em rezar… Se orar (ou rezar) for entendido como descansar em Deus, até aí é difícil rezar. Temos dificuldade em descansar, em geral… e em descansar em Deus, em particular. Daqui decorre que a primeira coisa para (tentar) rezar é, precisamente parar. Diz a mesma carta aos Romanos que o Espírito virá e essa é a promessa que alicerça a nossa fé. Mas para o Espírito nos alcançar, há que não fugir correndo… Neste sentido, é condição necessária para o tateamento da oração, precisamente, a oportunidade, o desejo, a persistência e a disciplina da paragem e do silêncio…

Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto

DOMINGO XVI DO TEMPO COMUM


L 1 Sb 12, 13. 16-19; Sl 85 (86), 5-6. 9-10. 15-16a
L 2 Rm 8, 26-27
Ev Mt 13, 24-43 ou Mt 13, 24-30

JP in Sem categoria 22 Julho, 2023

crer ou não crer não é a questão…

Já ouvi e li muito sobre a bigorna da responsabilidade pessoal no dinamismo da crença e da não crença. Entre o dom e a adesão…. Honestamente, não é aqui, mais uma vez, que crentes e não crentes se separam. Pelo contrário, se lidos honestamente, uns e outros estão inquietos no risco ontológico do viver.

JP in Sem categoria 20 Julho, 2023

Outras cairam em terra boa…

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 13, 1-9

«outras cairam em terra boa…»

A parábola do semeador é mais uma relação entre a natureza e nós próprios, incluindo o Deus que nos habita. A semente é a dádiva que até com o vento se desloca e depois fecunda. Os terrenos, múltiplos e diversificados, somos cada um: ora caminho pisado, ora espaço pedregoso e sem nutrientes, ora espinhos que afogam na reprodução das distrações e não permitem a sementeira, ora terra boa, que faz a síntese da dádiva, da benção do Sol e da chuva… dando muito fruto. Mistério de gozo e contemplação é a abundacialidade querer precisar da terra que somos para se frutificar, expor e assim louvar…

DOMINGO XV DO TEMPO COMUM


L 1 Is 55, 10-11; Sl 64 (65), 10abcd. 10e-11. 12-13. 14
L 2 Rm 8, 18-23
Ev Mt 13, 1-23 ou Mt 13, 1-9

JP in Sem categoria 16 Julho, 2023

epigenes que carrego…

Deve existir qualquer coisa que carregamos como sendo ‘epigenes do desamor’. Não sei a bioquímica da coisa, mas trazemos connosco uma capa dolorosa que reveste a bondade original daquilo que somos. Dizem-me que o meu Avô foi colocado num barco aos 12 anos, para ir ganhar a vida para Angola. Que o meu Pai foi largado da Mãe aos oito anos, porventura sem um abraço. E eu sou também isto. Não tenho de escamotear nem obcecar diante desses ‘epigenes’, mas é bom chamar-lhes um nome, acolhê-los, mimá-los, se for preciso, truncá-los…, mas reconhecê-los…

JP in Sem categoria 14 Julho, 2023

anjos, transcendência e mundo…

Diz Tolentino Mendonça, a propósito da complexa, sedutora, simbólica e antisimbólica angeologia, judaico-cristã e não só: “mostrar sem desvendar, dizer sem prender, tornar maximamente visível sem ferir minimamente o invisível”. No cristianismo, este toque angélico é notado, nesta mesma névoa paradoxal, em particular, no alfa e no ómega do quotidiano da vida de Jesus (anunciação e escatologia apocalíptica). Como seria previsível, no cristianismo, sempre embalado na síntese entre a tradicional continuidade judaica com a novidade do Evangelho, a angeologia subalterna-se ao primado de Cristo, onde toda a realidade mora.

JP in Sem categoria 12 Julho, 2023