realidade paroquial

Mesmo que imaginemos a Igreja com alguns progressos que muitos de nós desejaríamos, como a ordenação de homens casados e a maior amplitude pastoral e celebrativa no feminino, será difícil que a Igreja católica recupere as estruturas tradicionais pré-modernas. Diz Halik, quanto a mim acertadamente, que é muito provável que as paróquias territoriais poderão dar lugar a centros de acolhimento e de acompanhamento espiritual.

JP in Sem categoria 6 Novembro, 2024

momentos difíceis…

Um dia escrevi estas palavras a uns familiares que acompanhavam alguém em quase agonia: Poucas palavras, diante do sofrimento e da fragilidade, diante dos quais ‘tiramos as sandálias’ e nos colocamos purificados face à nossa própria nudez e à nudez de Deus. Coragem para todos e contem com as nossas orações e o que mais entenderem. Deus, num risco de fé em nós mesmos, na nossa liberdade e na liberdade do pulsar do cosmos, de que faz parte a nossa biologia, quis, não sem mistério, arriscar não eliminar a dor, mas iluminar a dor. É só (…) um ‘i’ em vez dum ‘e’, mas a nuance é grande… Por isto mesmo as nossas preces são no sentido de saber estar, de crescer, de confiar, de despir-se e ser capaz de ver, respirar e suspirar mais além. Vos desejo a todos essa experiência, intensa, não isenta de custo, mas apontando à vida, sempre à vida que, até na iminência da fragilidade aguda e na própria morte, pode florescer.

JP in Sem categoria 4 Novembro, 2024

amarás o Senhor teu Deus. Amarás o teu próximo

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mc 12, 28b-34

«Amarás o Senhor teu Deus. Amarás o teu próximo»

Os mandamentos do amor a Deus e ao Homens são o cerne da fé judaico-cristã e são invocados com frequência como o terreno firme da religião. Pela negativa, dir-se-ia que a religião se afasta tanto mais do seu trilho quanto mais secundariza este ideário. Destacam-se dois amores: a Deus e ao próximo. Mas podemos focar-nos num ‘terceiro amor’, implícito nesta passagem, sem o qual não há eficácia amorosa: o amor a si mesmo. A intenção seria amar o outro como a mim mesmo. Portanto, sem nos amarmos a nós mesmos, não poderemos amar a Deus e aos irmãos. Temos aqui algum lastro da autoestima, do conhecer-se (e aceitar-se) a si mesmo. Não é narcisismo porque tem finalidade mais ampla, sempre fora de mim, mas contando comigo e com o abraço de acolhimento e validação que consigo dar a mim mesmo… este abraço dado, reconhece-se oferecido … e a isto os crentes chamam Graça.

Este texto é adaptado em parte ou na totalidade de palavras anteriores já publicadas.

DOMINGO XXXI DO TEMPO COMUM


L 1 Dt 6, 2-6; Sl 17 (18), 2-3. 4 e 47. 50-51ab
L 2 Heb 7, 23-28
Ev Mc 12, 28b-34

JP in Sem categoria 2 Novembro, 2024

hermenêuticas…

As três linhas de hermenêutica Bíblica, não necessariamente descontinuadas, apontam para uma centralidade no autor, no texto e no leitor, respetivamente. Agrada-me a relação com o Livro nesta terceira camada: A Bíblia está plena de possibilidades, mas convida-me a mergulhar na história para me perceber. Como se a Revelação, excedendo-me, precisasse de mim…

JP in Sem categoria 30 Outubro, 2024

benção que nos habita

Procuramos a bênção como se ela fosse exterior, mas talvez devêssemos procurar, antes, o reconhecimento que já nos habita. E esta procura, por sua vez, tem uma lanterna paradoxal: não há bênção sem custo…

JP in Sem categoria 28 Outubro, 2024

Grandes maravilhas fez por nós o Senhor

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se o Slm 125

«Grandes maravilhas fez por nós o Senhor»

Ter fé, de alguma forma, é apoiar-se vivencialmente na ideia de que o amor é a última palavra e, portanto, Deus fez (e faz) maravilhas. O Salmo 125 coloca-nos num dinamismo que diz respeito à nossa vida: o salmista fala nos homens (nós) que “à ida vão a chorar” mas “à volta vêm a cantar”. Saber que o regresso é de júbilo torna possível e até animada uma partida sombria. Ter futuro, ter esperança no Senhor, ter certeza no cantar, suporta o nosso presente e ampara a nossa dor. Este processo repete-se em pequenos e grandes ciclos da nossa vida e, às tantas, o futuro e o presente confundem-se: chora-se cantando e vive-se a esperança. Andará por estes critérios a fé, a própria bem-aventurança da vida…

Este texto é adaptado em parte ou na totalidade de palavras anteriores já publicadas.

DOMINGO XXX DO TEMPO COMUM


L 1 Jr 31, 7-9; Sl 125 (126), 1-2ab. 2cd-3. 4-5. 6
L 2 Heb 5, 1-6
Ev Mc 10, 46-52

JP in Sem categoria 26 Outubro, 2024

Soledades…

Há um lado meu que esteve, está e estará solenemente só…

É também aí, principalmente aí, que faço duas convocatórias:

a dos outros e a do totalmente Outro.

… e vivo menos só a minha soledade…

Entregue a este exercício, brotante da minha carente solidão, reconheço-me habitado por uma paradoxal e eterna Companhia…

JP in Sem categoria 22 Outubro, 2024

A Terra está cheia da bondade do Senhor

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se o Slm 32

«A Terra está cheia da bondade do Senhor»

Sermos capazes de ver e saborear as coisas boas é um elemento fundamental do nosso crescimento espiritual. Os Santos, em particular, são contemplativos, isto é, tentam ver com os olhos de Deus. Podemos olhar a nossa vida, os outros, a História, as situações e a Terra, salientando no que vemos “a bondade do Senhor”, conforme as palavras do Salmo. Não somos ingénuos e sabemos da existência do mal, dentro e fora de nós. Mas não conseguimos caminhar sem “atestar o depósito” da alegria, com a “bondade do Senhor”. Há uma palavra curiosa, neste contexto, que se pode convocar: a “abundancialidade” (da criação contínua…).

PS: Há uma linguagem própria das escrituras e da religiosidade, que pode precisar de resignificação. A expressão “Senhor”, por exemplo, pode ser encarada e vivida espiritualmente como um caminho de recentramento no que é essencial, num “qualquer coisa Outro” (O Senhor – amoroso), que não eu próprio…

Este texto é adaptado em parte ou na totalidade de palavras anteriores já publicadas.

DOMINGO XXIX DO TEMPO COMUM


L 1 Is 53, 10-11; Sl 32 (33), 4-5. 18-19. 20 e 22
L 2 Heb 4, 14-16
Ev Mc 10, 35-45 ou Mc 10, 42-45

JP in Sem categoria 20 Outubro, 2024

matutar…

A nossa arte de ‘matutar’ não é necessariamente má. O que pode haver, é bons e maus ‘matutamentos’. O matutar para o empreendimento ético e de serviço é saudável. O matutar muito autocentrado e controlador será menos candidato a bons frutos…

JP in Sem categoria 18 Outubro, 2024