é como dizes: sou Rei

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Jo 18, 33b-37
«É como dizes: sou Rei»

A linguagem dos reis e dos reinados é muito específica e bastante presente nos livros da Bíblia. Com Jesus, em particular, há um confronto agudo e sistemático com vários reinados. Jesus é e assume-se como Rei, mas, para os seus seguidores (porventura alguns de nós) importa clarificar que Rei é este e quais as caraterísticas do seu reinado. Notar que este texto precede a Páscoa, a passagem da morte à vida, o enorme gesto amoroso. Mais ainda, paradoxalmente, o reino de Jesus (a chave dos Seus critérios) é a originalidade do ‘despoder’. Isto é, o poder é não poder, é a doação e a entrega. Podemos perguntar-nos se estes critérios nos seduzem, se viver neste reinado despoderado nos interessa, se faz sentido ser súbdito deste rei-escravo… se servir, nos enche a alma…

Este texto é adaptado em parte ou na totalidade de palavras anteriores já publicadas.

DOMINGO XXXIV DO TEMPO COMUM


L 1 Dn 7, 13-14; Sl 92 (93), 1ab. 1c-2. 5
L 2 Ap 1, 5-8
Ev Jo 18, 33b-37

JP in Sem categoria 24 Novembro, 2024

treinar crer

Treinar crer

Crer é danado

caminho e

lazer.

Crer é treinar

o que é dado

ao meu ser.

Crer é tatear

aprender a morrer.

JP in Sem categoria 22 Novembro, 2024

dor e silêncio divino

O ‘silêncio de Deus’, concretamente face à dor do mundo, discute-se à anterióri: é impensável a existência humana sem a liberdade friccioante e sem a morte própria das criaturas finitas…  

JP in Sem categoria 20 Novembro, 2024

revelação (não) óbvia

Qualquer criatura humana pensante, crente ou não crente, se perguntará porque é que a revelação a todos os povos não é mais óbvia. Na posição de fé há que assumir que não será por Deus não poder ou não querer. Este ‘ainda não’ da revelação plena é uma inevitabilidade criatural. Resulta da tensão entre a transcendência e a contingência da finitude humana e pode ter uma resposta nossa: assumirmo-nos como revelação em acontecimento.

JP in Sem categoria 18 Novembro, 2024

Senhor, porção da minha herança

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se o slm 15
«Senhor, porção da minha herança»

Os salmos são textos poderosos mas encerram um poética carente de extração e contextualização histórico-teológica. Importam, muitas, vezes, os traços subtis cantados transversalmente. No presente caso, seja a confiança.

Pode ser interessante fixarmo-nos numa palavra, num verso, numa ideia, e a partir dela… tecer. Seja a frase: « Senhor, porção da minha herança». Podemos refletir sobre as heranças, isto é, aquilo que nos foi deixado pela geração anterior ou o que deixaremos para outras gerações. Se perguntarmos o que mais precioso nos foi legado pelos nossos pais, pelos que estiveram antes de nós, terão sido os bens, casas ou terrenos, posições sociais ou diplomas? E o que gostaríamos de deixar aos que nos seguirão, à geração seguinte, aos filhos, se os tivermos? Estamos conscientes de que a esperança, a confiança, pode ser o mais precioso legado que podemos deixar a alguém?…

Este texto é adaptado em parte ou na totalidade de palavras anteriores já publicadas.

DOMINGO XXXIII DO TEMPO COMUM


L 1 Dn 12, 1-3; Sl 15 (16), 5 e 8. 9-10. 11
L 2 Heb 10, 11-14. 18
Ev Mc 13, 24-32

JP in Sem categoria 16 Novembro, 2024

imanência e transcendência

Saboreio muito uma tentativa de vida Cristã que funde o Céu e a Terra, no horizonte da humanidade divinizada. A teologia atual suporta: procura a convergência da imanência e da transcendência.

JP in Sem categoria 14 Novembro, 2024

deleite filosófico…

Além do gozo próprio do pensamento sobre o que pensamos, a filosofia de Platão e de Aristóteles sublinha que é o assombro que move o próprio deleite filosófico…

JP in Sem categoria 12 Novembro, 2024

esta pobre viúva deu mais do que todos os outros

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mc 12, 41-44 

«Esta pobre viúva deu mais do que todos os outros»

Nesta acutilante denúncia, Jesus desvaloriza a ostentação dos fariseus e enaltece a simplicidade da viúva indigente. O que mais nos pode impressionar é que individualmente e como comunidade, estamos repletos deste “resquício farisaico”. Quantos de nós, militando na mesma Igreja que Jesus fundou, este Jesus que combateu os gestos hipócritas dos fariseus, procuramos a exibição nas praças e os primeiros assentos? Procuremos, no dia-a-dia, em oposição, fixarmo-nos nos antípodas da ostentação, focados na radicalidade generosa da viúva pobre e simples.

PS: Pode ser libertador e útil, quando bem aproveitado, o confronto com as escrituras nas celebrações religiosas… Será uma vantagem da ‘ritualização religiosa’: constituir-se no privilégio de poder aproveitar esses encontros, também, para muitos processos críticos e autocríticos, comunitários e pessoais, crescendo e gerando abertura à transformação.

Este texto é adaptado em parte ou na totalidade de palavras anteriores já publicadas.

DOMINGO XXXII DO TEMPO COMUM


L 1 1Rs 17, 10-16; Sl 145 (146), 7b-8a. 8bcd. 9. 10
L 2 Heb 9, 24-28
Ev Mc 12, 38-44 ou Mc 12, 41-44

JP in Sem categoria 10 Novembro, 2024

realidade paroquial

Mesmo que imaginemos a Igreja com alguns progressos que muitos de nós desejaríamos, como a ordenação de homens casados e a maior amplitude pastoral e celebrativa no feminino, será difícil que a Igreja católica recupere as estruturas tradicionais pré-modernas. Diz Halik, quanto a mim acertadamente, que é muito provável que as paróquias territoriais poderão dar lugar a centros de acolhimento e de acompanhamento espiritual.

JP in Sem categoria 6 Novembro, 2024