Deus e o amor
No jogo limitado das palavras, vendo bem, ironicamente, há uma coisa que Deus não supera: o Amor. Porquê? Porque Ele mesmo é o Amor.
No jogo limitado das palavras, vendo bem, ironicamente, há uma coisa que Deus não supera: o Amor. Porquê? Porque Ele mesmo é o Amor.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mc 1, 21-28
ensinava-os como quem tem autoridade
A forma como Jesus ensinava, segundo as escrituras, espelhava autoridade. É bom retermo-nos no potencial pedagógico deste estilo de Jesus, que não seria, com toda a certeza, autoritarismo nem prepotência. A autoridade de Jesus, bem entendido, vinha-Lhe da coerência entre o que dizia e o que vivia. Sabemos que, por sua vez, essa autenticidade era a consequência da Sua unidade filial com uma confiança amorosa estrutural. Inspirador para nós, principalmente quando estamos em papéis educadores…
Hegel coloca-nos no fulcro da importância da experiência: “não se pode aprender a nadar sem entrar dentro de água…”
Uma boa graça a pedir – sempre melhor que pedinchar – é a de me assustar menos face ao que falta, dentro de mim, fora de mim e no mundo. A confiança reside aqui: o que falta é matéria prima da obra que se vai esculpindo…
A Química é mesmo uma ciência dual: empírica mas racional, pragmática mas puxando pela imaginação. A Química, ao mesmo tempo, estuda objetos mas cria objetos, aproxima-se de leis gerais mas pulvilha-se de excepções. Talvez por isto goste de Química… porque também eu sou assim…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Jo 1, 35-42
Que procurais? (…) Vinde ver. (…) Encontrámos o Messias
O diálogo que Jesus trava com os discípulos de João Baptista resume, em certo sentido, a história da revelação de Deus por intermédio de Jesus Cristo. Esta prosa alimenta-se da tríade procurar-ver-encontrar que, de alguma forma, resume também a nossa sede, a nossa história e a nossa vida pessoal: o desejo de alegria de alegria faz-nos procuraralgo que dê sentido à existência. Jesus, pela forma como vive, como perdoa e como ama, faz-nos verum estilo de vida que tem sentido e nos torna gente encontrada. Se houver um trilho de caminho no cristianismo (depois, pleno de variantes), talvez seja por aqui: procurar, ver, encontrar…
O poeta romano Horácio deixou-nos uma simples combinação inspiradora: carpe diem. Talvez ousasse traduzir com linguagem atual como “curte o dia”. Entendida na sua versão inteira e com dimensão espiritual, resume um apelo suficiente para encontros verdadeiramente humanos.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mc 1, 7-11
Depois de mim virá alguém…
Na celebração do Batismo de Jesus (que se colocou na fila, no melhor sentido do termo), fixamo-nos na personagem de João Batista e na auto-percepção humilde que interiorizou da sua própria missão. Há um lado único, original e irrepetível em todos nós mas, ao mesmo tempo, espreita certa liberdade quando conseguimos assumir a nossa não autossuficiência e caminhamos para um encontro existencial que passa por apontar para um outro, Jesus Cristo. Este que veio, vem e virá, completa-nos naquilo que somos. Ser Cristão é, como celebramos quotidianamente na missa, ser por Cristo, com Cristo e em Cristo…
É relevante, face ao erro pessoal, promover, por ordem crescente de importância:
1- ampliar a atenção e os métodos para errar menos adiante;
2- tirar proveito no sentido de aprender a conviver melhor com o erro pessoal;
3- ampliar a compreensão e a misericórdia face aos erros dos outros;
4- reparar o erro e, principalmente, as consequências junto de outros (se for o caso, claro está, pedir perdão).
Para todo este dinamismo, convém uma confiança prévia de que, mesmo errando, somos sempre amados e amáveis…
Buda diz sobre o Nirvana que, em vez de falar, se ofereça uma flor. As realidades oriental e ocidental são mesmo vasos comunicantes: aquilo que é verdadeiramente, só pode ser recebido (não descrito). A cultura ocidental, de que sou feito e que, com gosto, vivo, valoriza mais a palavra e o conceito. A cultura oriental, que visito com gosto e de que bebo com proveito, valoriza mais este gesto silencioso de ser… Mas no fundo, bem sabemos, há muito de orientalidade na cultura ocidental…