Natal
Um Feliz Natal para cada um e para todos!
Que cada um consiga “re-significar” da melhor forma os tempos, os gestos, as tradições e os sentidos deste maravilhoso tempo que passa.
Um Feliz Natal para cada um e para todos!
Que cada um consiga “re-significar” da melhor forma os tempos, os gestos, as tradições e os sentidos deste maravilhoso tempo que passa.
Nietzsche, que era tudo menos religioso, lamentava a falta de sentido contemplativo do seu tempo. Dizia que esta circunstância (final do século XIX…) “terá provavelmente a sua época e calar-se-á por si própria, um dia, quando se der o regresso em força do génio da meditação”…
Um véu translúcido antevê sem total nitidez o mistério de Deus. Por isto há REvelação… a acontecer…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Lc 1, 39-45
pôs-se a caminho
Em tempos de Advento recentramo-nos em Maria, que explicita três aspetos fundamentais: fé, aceitação e risco. Maria colocou os meios ao serviço da sua missão: saiu do sofá e foi ter com alguém… a quem ajudou e através de quem foi ajudada. Seduz-nos este estilo de Maria, singelo, alegre e descomplicado. Muitas vezes estamos bloqueados e não nos colocamos a caminho. Notar que também ai Deus está connosco. Ele não está presente com condições e como resultado dos nossos méritos mas porque nos ama, sempre. Com esta confiança, podemos também fazer a nossa parte e buscar os recursos que precisamos para ser o que podemos ser. Raramente o conseguimos sozinhos. Há neste texto um duplo movimento, inspirado em Maria: pedir ajuda sempre que precisamos, indo ao encontro das pessoas certas, que nos acolhem como nós somos. Por outro lado, sermos também nós abertos a sermos ajudadores de quem nos procura…
Na cultura zen identifica-se uma certa força/energia, diante da qual todos se inclinam. É chamada “ki” pelos japoneses e “chi” pelos chineses. Pela minha formação em ciências exatas, tenho certa antipatia pelo uso dos termos energia e força no campo espiritual. Prefiro energia como, por exemplo, o produto da massa pelo quadrado da velocidade da luz e força, por exemplo, como a capacidade de alterar o estado de repouso ou movimento de um corpo ou de o deformar. Mas são só palavras… Seja lá o que for, em “ki”, “chi”, “espírito” ou o que as palavras não abarcam, intuo um “qualquer coisa” experimentável, que move também a minha confiança e que me desenha como pessoa de fé…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Sof 3, 14-18a
«O Senhor exulta de alegria por tua causa»
As leituras do Antigo Testamento são por vezes áridas e difíceis, mais carentes de exegese. Por mais que se compreenda e viva fascinado pela novidade de Jesus, Ele mesmo só se compreende enquanto contínuo da tradição judaica. Em certo sentido, se Jesus é a chave, o judaísmo é a porta… Este texto de Sofonias coloca-nos no cerne da fé, na alegria de Deus pela existência de cada um. É, em certo sentido, a fé de Deus nos homens. É, sem certo sentido, Deus que arrisca em nós. E que libertador pode ser ter esta matriz de doação, de bênção. Sim, uma bênção com um custo. Uma rosa com espinhos. Mas, ter fé, aceitar a fé de Deus em nós, é escolher, focar-se e viver a beleza da rosa, apesar dos espinhos…
A omnisciência de Deus, a sua perfeição, está mais no amar do que no saber, está mais no serviço do que no poder.
A paciência tem duas dimensões: 1) comigo e 2) com os outros, com a vida, com o mundo e com Deus. A paciência comigo mesmo é uma procura que convém aceitar pois ajuda muito as restantes paciências…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Filipe 1, 4-6.8-11
«peço sempre com alegria por todos vós»
Paulo, apóstolo enérgico, vital, empreendedor e mobilizador (nem por isso imaculado e, portanto, sujeitável a um olhar histórico-crítico…), empresta-nos nesta carta à comunidade dos filipenses um verdadeiro sentido do “nós”. Viver, estar e ser em Igreja, tem um potencial de autodescentramento, de nos polarizar num crescimento comum. Rezamos “Pai nosso…” e não “Pai meu…” e, isso mesmo, é símbolo de um convite mais coerente e amplo para uma vida espiritual comunitária. Rezarmos uns pelos outros é diferente de ‘pedinchar’. Na linha de Paulo, será pedir e contribuir para o dom da alegria de cada um, em todas as circunstâncias. Rezar pelos outros é pedir desde logo a abertura para que as minhas mãos os beneficiem e sejam mãos capazes de aliviar jugos e promover esperanças em cada um.
Sobre outros carismas e espiritualidades, eis a colocação mais libertadora: “com outras linguagens, tendem à mesma procura!”