tentar de novo
Recomeçar é um pulsar muito proprio do cristianismo mas é radicalmente insuficiente fazer mais do mesmo e, principalmente, insistir nos mesmos equívocos. Recomeçar é um apelo criativo e de mudança.
Recomeçar é um pulsar muito proprio do cristianismo mas é radicalmente insuficiente fazer mais do mesmo e, principalmente, insistir nos mesmos equívocos. Recomeçar é um apelo criativo e de mudança.
No contexto religioso, Maria é apontada como a senhora do sim (à realidade oferecida…). Mas, como sabemos, a vida pede, também, nãos… Nãos que são ‘sim’ a outras coisas importantes, como descanso, qualidade de vida, requalificação de outros serviços já com compromisso, ‘sim’ a outros amores… Como se jogam sim e não na minha vida?
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 16, 13-20
Há uma pergunta muito central no cristianismo, que nos visita em espiral, sempre com aprofundamentos renovados: quem é Jesus, o Cristo, para mim? Embora a fé vivida na Igreja sublinhe o “nós necessário”, o caminho conjunto (a Igreja pode ajudar-me a que eu “me livre de mim mesmo”, concentricamente…), esta pergunta é muito pessoal e dinâmica. Para os cristãos, é uma pergunta que se vai fazendo e que vai tendo como respostas sucessivas a nossa própria vida (con)formada nessa mesma percepção (assim vivida) de Cristo em nós.
NOTA: Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto.
L 1 Is 22, 19-23; Sl 137 (138), 1-2a. 2bc-3. 6 e 8bc
L 2 Rm 11, 33-36
Ev Mt 16, 13-20
A gestão da expetativa é um ângulo de visão de nós mesmos e das nossas relações, muito certeiro. Tem-me ocorrido esta liberdade: a expetativa não é para ser alta nem baixa mas aberta… Expetativa aberta é liberdade.
O interessante regresso às origens é um pulsar de vida. Significa que há espaço para algum toque clássico, convencional ou até conservador, na vida, na sociedade e na Igreja. Não pode é ser um reconhecimento estático que veja na tradição uma tampa hermética mas, antes, vida a dizer-se e a redizer-se…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 15, 21-28
A mulher a quem Jesus dirige as palavras «é grande a tua fé: faça-se como desejas», é uma mulher gentia, exterior ao povo judeu. Depois de insistir para que Jesus a visse e atendesse, ela vê confirmada a sua aposta no Mestre e é atendida pela Sua misericórdia. Se dúvidas houvesse sobre a porosidade dos que podem aceder a Jesus, este texto do Evangelho recoloca-nos na radical abertura. Fora da esfera formal e institucional da Igreja, como sabemos e vemos, há muita fé! Esta passagem pode ajudar-nos a abrir horizontes e vistas, reprimindo qualquer fundamentalismo e fechamento religioso. É muito saudável perceber que pode haver salvação (fé, verdade, vida, felicidade, encontro…), fora da tradição de qualquer religião. Dito de outra forma: toda a fé, toda a verdade e toda a vida autêntica, com ou sem rótulo, coerente com o amor, é de Deus. Pode, aí nesse lugar, ser muito grande a fé…
NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.
L 1 Is 56, 1. 6-7; Sl 66 (67), 2-3. 5. 6 e 8
L 2 Rm 11, 13-15. 29-32
Ev Mt 15, 21-28
A dúvida não é bem sobre a existência de Deus: é sobre se eu me consigo abrir à sua comunicabilidade…
Pelo menos escatologicamente, mas talvez não só, posso assumir-me como um quase-sincretista espiritual: a religião que se tem ou não tem, em certo sentido, é uma insignificância…
É necessário repensar a tradição filosófica e teológica ocidental que esteve durante dois mil anos estruturalmente associada ao cristianismo. Há certamente muito a mudar, e não se trata apenas de mudar este ou aquele elemento isoladamente. Há uma verdadeira mudança paradigmática a realizar. Ela está a acontecer ao nível cultural em geral e, talvez por não estar a acontecer com a mesma rapidez ao nível religioso, parece haver um número crescente de pessoas que não se reconhece em boa parte do actual discurso teológico cristão. Uma mudança paradigmática tão sentida por Teilhard de Chardin na primeira metade do século passado e por alguns pensadores cristãos actuais surge agora como absolutamente inadiável. Mas está por fazer…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 14, 22-33
Jesus convida os discípulos – nós mesmos – a mover-nos para a outra margem. É uma linguagem simbólica relevante apontando, em certo sentido, que chegar e parar é sempre curto na fé. Somos feito de caminho de uma constante procura. Este convite de desinstalação é feito depois do milagre da multiplicação dos pães, evento em si mesmo com potencial equívoco: Jesus desejava plasmar a força e a abundância da partilha mas tal milagre, mal colhido, é a entrega à magia que não responsabiliza, como se houvesse fraternidade sem partilha humana de vida e de bens. Ir para a outra margem é viver, é, mesmo parando, caminhar. O nosso lugar é o da passagem, sempre para a outra margem…
NOTA: Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto.