a fé é bem maior do que a religião…

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 15, 21-28

A mulher a quem Jesus dirige as palavras «é grande a tua fé: faça-se como desejas», é uma mulher gentia, exterior ao povo judeu. Depois de insistir para que Jesus a visse e atendesse, ela vê confirmada a sua aposta no Mestre e é atendida pela Sua misericórdia. Se dúvidas houvesse sobre a porosidade dos que podem aceder a Jesus, este texto do Evangelho recoloca-nos na radical abertura. Fora da esfera formal e institucional da Igreja, como sabemos e vemos, há muita fé! Esta passagem pode ajudar-nos a abrir horizontes e vistas, reprimindo qualquer fundamentalismo e fechamento religioso. É muito saudável perceber que pode haver salvação (fé, verdade, vida, felicidade, encontro…), fora da tradição de qualquer religião. Dito de outra forma: toda a fé, toda a verdade e toda a vida autêntica, com ou sem rótulo, coerente com o amor, é de Deus. Pode, aí nesse lugar, ser muito grande a fé…

NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.

DOMINGO XX DO TEMPO COMUM


L 1 Is 56, 1. 6-7; Sl 66 (67), 2-3. 5. 6 e 8
L 2 Rm 11, 13-15. 29-32
Ev Mt 15, 21-28

JP in Sem categoria 16 Agosto, 2026

dúvida da fé…

A dúvida não é bem sobre a existência de Deus: é sobre se eu me consigo abrir à sua comunicabilidade…

JP in Sem categoria 14 Agosto, 2026

sincretismo

Pelo menos escatologicamente, mas talvez não só, posso assumir-me como um quase-sincretista espiritual: a religião que se tem ou não tem, em certo sentido, é uma insignificância…

JP in Sem categoria 12 Agosto, 2026

mudança na tradição do pensamento crente

É necessário repensar a tradição filosófica e teológica ocidental que esteve durante dois mil anos estruturalmente associada ao cristianismo. Há certamente muito a mudar, e não se trata apenas de mudar este ou aquele elemento isoladamente. Há uma verdadeira mudança paradigmática a realizar. Ela está a acontecer ao nível cultural em geral e, talvez por não estar a acontecer com a mesma rapidez ao nível religioso, parece haver um número crescente de pessoas que não se reconhece em boa parte do actual discurso teológico cristão. Uma mudança paradigmática tão sentida por Teilhard de Chardin na primeira metade do século passado e por alguns pensadores cristãos actuais surge agora como absolutamente inadiável. Mas está por fazer…

JP in Sem categoria 10 Agosto, 2026

noutra margem

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 14, 22-33

Jesus convida os discípulos – nós mesmos – a mover-nos para a outra margem. É uma linguagem simbólica relevante apontando, em certo sentido, que chegar e parar é sempre curto na fé. Somos feito de caminho de uma constante procura. Este convite de desinstalação é feito depois do milagre da multiplicação dos pães, evento em si mesmo com potencial equívoco: Jesus desejava plasmar a força e a abundância da partilha mas tal milagre, mal colhido, é a entrega à magia que não responsabiliza, como se houvesse fraternidade sem partilha humana de vida e de bens. Ir para a outra margem é viver, é, mesmo parando, caminhar. O nosso lugar é o da passagem, sempre para a outra margem…

NOTA: Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto.

DOMINGO XIX DO TEMPO COMUM

L 1 1Rs 19, 9a. 11-13a; Sl 84 (85), 9ab-10. 11-12. 13-14
L 2 Rm 9, 1-5
Ev Mt 14, 22-33

JP in Sem categoria 8 Agosto, 2026

Deus é amar

Sempre ‘abusei’ da expressão “Deus é amor”, que é bastante razoável para tentar falar do indizível. Mas há um ajuste que pode dar ainda mais força a tal ideia, sublinhando o lado atuante e penetrante da transcendência. Seria então “Deus é amar”.

JP in Sem categoria 6 Agosto, 2026

excesso de conforto…

Por vezes, pesa-me um certo excesso de conforto e de bem estar, físico, psicológico, relacional e espiritual. Além do impulso da partilha, reconheço-me privilegiado por acolher essa paz como um dom, uma dádiva que existe para ser fruída e partilhada. Que tal reconhecimento e agradecimento seja um treino, também,  para robustecer e amparar cenários menos confortáveis que virão adiante…

JP in Sem categoria 4 Agosto, 2026

eu sou o alimento do outro

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 14, 13-21

dai-lhes vós de comer

Há multidões, há barcos, há gente, há Jesus. Há mundo e há vida, a vida que corre. No seio do desejo e da carência palpita o grito ainda silencioso mas real… da fome. Alguns seguidores ainda ingénuos procuram o milagre fácil que multiplica o pão. Mas o anúnico radical aparece: é convosco que quero ir fazendo este milagre. “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Este texto, radicalmente eucarístico, poderia mostrar um lado ainda mais ontológico com um arranjo semântico: “dai-lhes vós mesmos o que sois”. Na realidade, o âmago do nosso ser é ser pão.

NOTA: Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto.

DOMINGO XVIII DO TEMPO COMUM

L 1 Jr 20, 7-9; Sl 62 (63), 2. 3-4. 5-6. 8-9
L 1: Is 55, 1-3; Sl 144 (145), 8-9. 15-16. 17-18
L 2: Rm 8, 35. 37-39
Ev: Mt 14, 13-21

JP in Sem categoria 2 Agosto, 2026

Inácio

Amanhã celebramos Inácio. O seu “princípio e fundamento”*, embora suportado na linguagem epocal em que viveu, é da maior atualidade: ter raízes no princípio criador amoroso e fundar a vida em promessa sólida, é um caminho cheio de futuro.

*

O Homem é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus Nosso Senhor, e assim salvar a sua alma. 
E as outras coisas sobre a face da terra são criadas para o homem, a fim de ajudá-lo a alcançar o fim para que foi criado. 
Donde se segue que há de usar delas tanto quanto o ajudem a atingir o seu fim, e há de privar-se delas tanto quanto dele o afastem. 
Pelo que é necessário tornar-nos indiferentes a respeito de todas as coisas criadas em tudo aquilo que depende da escolha do nosso livre-arbítrio, e não lhe é proibido.  De tal maneira que, de nossa parte, não queiramos mais saúde que doença, riqueza que pobreza,
honra que desonra, vida longa que breve, e assim por diante em tudo o mais, desejando e escolhendo apenas o que mais nos conduzir ao fim para que fomos criados.

JP in Sem categoria 30 Julho, 2026

posse(s)…

Pelo menos em teoria, tenho grande desejo de combater o complexo, tradicional, mas efetivo sintoma do ‘empoderamento dos Pais’. Disse em tempos aos filhos: a vossa vida e agenda primeiro. Deste lado nunca haverá melindre por não estarem. Sempre bem-vindos mas sempre amados se voando noutro lugar.

JP in Sem categoria 28 Julho, 2026