arrependeu-se e foi…

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 21, 28–32

Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’. Depois, porém, arrependeu-se e foi

Há muitos de nós, há partes de nós (…), que dizem que fazem e não fazem. Outras vezes, pelo contrário, dizemos que não fazemos e fazemos… As palavras do Evangelho, em formato parabólico, valorizam mais o fazer do que o anúncio, mais o gesto do que a palavra, mais a ação do que a intenção. De outra forma, podemos ainda apontar para evitar as justificações palavreadas, substituindo-as por um agir silencioso e coerente. Esta valorização da ação remete-nos pois, também, para o valor da contenção verbal, para o concurso de mais silêncio consolador…  O amor, neste cenário, nunca é abstracto… é concreto! Amar são atos!

NOTA: Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto.

DOMINGO XXVI DO TEMPO COMUM



L 1 Ez 18, 25-28; Sl 24 (25), 4-5. 6-7. 8-9
L 2 Flp 2, 1-11 ou Flp 2, 1-5
Ev Mt 21, 28-32

JP in Sem categoria 26 Setembro, 2026

dizer mesmo que doa…


Há poucas dúvidas acerca da dificuldade de manter com qualidade uma relação, mesmo que plena de futuro. Um dos critérios de aferição é o nível de diálogo. Mas um diálogo francamente profundo. Talvez os elementos do par se devessem perguntar reciprocamente: “gostarias de não ser poupado(a) de algumas expressões do meu sentimento e razões, mesmo que te magoem? Isto é, posso (e devo) expressar radicalmente tudo o que sinto, penso e sou, mesmo que gere conflito e te perturbe?”. Se a resposta a esta condição prévia for sim, estão lançadas as bases para um bom nível de diálogo, condição necessária, mesmo que insuficiente, para o caminho da relação.

JP in Sem categoria 24 Setembro, 2026

o Senhor não sou eu

Não sou o mais intenso utilizador da expressão ‘Senhor’, para tatear a transcendência. Como cristão, tendo a usar mais ‘Jesus’. A hermenêutica pessoal que convoco, porém, quando, sózinho ou em comunidade, invoco o ‘Senhor’ aponta-me ‘O Centro’. E vale muito por antónimos teológicos, isto é, se o Centro é o Senhor, então o Centro não é a honra, não é o poder, não é o reconhecimento, não é o dinheiro, não é ‘correr tudo benzinho’ e, principalemnte, o Senhor não sou eu…

JP in Sem categoria 22 Setembro, 2026

Os últimos serão os primeiros

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 20, 1-16

Os últimos serão os primeiros

Lemos do Evangelho de Mateus a célebre parábola do “trabalhador da última hora”, um dos mais desconcertantes ensinamentos de Jesus. A lógica de Deus, de facto, não é a nossa. A contabilidade do amor não é produtivista. É excessiva! A Deus importa o encontro de cada um consigo próprio e com o Criador. Ter inveja de quem recebe o mesmo, apesar de chegar mais tarde, é fazer contas mesquinhas. Há também um certo tom de aviso nesta passagem, principalmente para as pessoas religiosas: não há estatutos adquiridos de validade superior… dito de outra forma, para entender apenas neste contexto: ninguém merece mais do que ninguém… todos merecemos tudo!

NOTA: Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto.

DOMINGO XXV DO TEMPO COMUM


L 1 Is 55, 6-9; Sl 144 (145), 2-3. 8-9. 17-18
L 2 Flp 1, 20c-24. 27a
Ev Mt 20, 1-16a

JP in Sem categoria 20 Setembro, 2026

o desejo mais desejável

Podemos traduzir a máxima de Agostinho “Volo ut sis” como “Desejo que sejas”. Não há desejo mais desejável e desejado…

JP in Sem categoria 14 Setembro, 2026

per-doar sempre

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 18, 21-35

Não te digo sete vezes mas até setenta vezes sete

A dimensão radical de perdão constitui marca cristã. Per-doar setenta vezes sete (mais do que quarenta e nove…), é perdoar infinitas vezes. Este precioso e original convite de Jesus significa, para cada um de nós, um enorme dom de liberdade, já que perdoar é ser livre. O cerne do perdão está no não ressentimento, está na oportunidade que continuamos a dar ao outro que nos ofendeu. Quem perdoa pode repreender, afastar-se ou até punir. Exteriormente, pode até ser duro ou tanger a violência, mas no coração de quem perdoa, como no de Jesus, há espaço para (re)acolher de novo quem se quiser aproximar por bem.

NOTA: Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto.

DOMINGO XXIV DO TEMPO COMUM


L 1 Sir 27, 33 – 28, 9; Sl 102 (103), 1-2. 3-4. 9-10. 11-12
L 2 Rm 14, 7-8
Ev Mt 18, 21-35

JP in Sem categoria 12 Setembro, 2026

Galileu e Deus…

Com Galileu, o cosmos medieval ficou extremamente desarrumado. Ao olhar através do telescópio, ele descobriu, além de muitas outras coisas, que por detrás das estrelas que pareciam fixas numa esfera de cristal existiam muitas outras a perder de vista, o que pôs em causa a localização do empíreo. Bertold Brecht captou admiravelmente este aspecto na sua obra Vida de Galileu Galilei, no diálogo entre Galileu e o seu jovem assistente. Tendo Galileu revelado ao jovem a existência de uma infinidade de estrelas e, por conseguinte, a inexistência do empíreo, o mesmo jovem levantou uma questão que se viria a revelar fundamental: «Onde está então Deus?» A resposta brechtiana de Galileu: «Dentro de nós, ou em lado nenhum.» Embora muito em consonância com a teologia do século XX, representa uma revolução na compreensão da relação entre Deus e o universo, uma relação que ou é relação com o humano… ou não é relação nenhuma…

JP in Sem categoria 10 Setembro, 2026

Morte fugida

A morte

Foi buscada

No sepulcro

Mas fugiu.

Não estava lá.

Mudou de lugar.

Vasculhei a morte.

Dentro e fora de mim.

Recebi notícias. 

A vida andava lá fora.

A morte estava dentro de mim

A morte fugira para ser vida

Borboleta eterna…

JP in Sem categoria 8 Setembro, 2026