crença
Há algo na crença que me atrai e que eu resumiria assim: um “qualquer coisa” diante da qual tudo o que não converge para “essa coisa” é fútil…
Há algo na crença que me atrai e que eu resumiria assim: um “qualquer coisa” diante da qual tudo o que não converge para “essa coisa” é fútil…
Há uma boa analogia do trauma como a ferida que cicatriza mas perde sensibilidade e, por vezes, havendo coragem, é preciso voltar a abrir… Sou um assumido não especialista nesta arte, mas reconheço-lhe sentido.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Slm 22
O Senhor é meu pastor: nada me faltará
O refrão do salmo pode ser colocado de uma outra forma: para que nada me falte, para ter o coração cheio de amor e sentir plenitude, é bom fazer com que Deus seja o meu pastor. Para ser feliz (é esse o desafio da fé), é bom deixar-me conduzir pelos Seus critérios, iluminar-me pela Sua luz, ir para onde Ele vai, amar como Ele ama. Todos nós temos sede e procuramos que nada nos falte. Às vezes tentamos saciar-nos do que não sacia, deixando-nos guiar por outros pastores… A verdadeira consequência deste refrão do salmo não é nem moral nem teológica: é vivencial. Quando experimentamos ter o Senhor (aqui como radical sinónimo de Amor) como pastor, nada nos falta, de facto…
NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.
DOMINGO IV DA QUARESMA
L 1 1Sm 16, 1b. 6-7. 10-13a; Sl 22 (23), 1-3a. 3b-4. 5. 6
L 2 Ef 5, 8-14
Ev Jo 9, 1-41 ou Jo 9, 1. 6-9. 13-17. 34-38
Há uma quase-tautologia que convém trazer à lembrança: para mudar temos que mudar algo.
Tensões científicas, sociais, filosóficas e teológicas se levantam no diálogo entre ciência e religião. Se a religião colidir desnecessariamente com a ciência e a cultura do nosso tempo, não consegue fazer-se entender e não atrai, já que a cultura actual, e bem, não se deixa ludibriar por discursos que sejam incompatíveis com o paradigma da sociedade do conhecimento em que vivemos. A religião é obviamente diferente da abordagem científica, mas muito perde se se apresentar como incompatível com as verdades científicas.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Jo 4, 5-42
“Dá-Me de beber” é excelente mote de Quaresma, de sinal de água no deserto do caminho. Este diálogo de Jesus com a Samaritana é, nas boas palavras de Tolentino Mendonça, o ‘elogio da sede’. A sede de Deus (o seu sonho amoroso para o mundo) transforma-se na nossa sede. As sedes unidas, a nossa e a do criador, criam as aberturas de caminho para um grande sentido: é o encontro da sede com a água viva, é o encontro do nada com o tudo, é o encontro da pequenez com a plenitude, é o encontro da morte com a vida, que estamos a preparar.
L 1: Ex 17, 3-7; Sl 94 (95), 1-2. 6-7. 8-9
L 2: Rm 5, 1-2. 5-8
Ev: Jo 4, 5-42 ou Jo 4, 5-15. 19b-26. 39a. 40-42
Samaritana
A verdadeira pérola
não é a água
mas procurar a sede
de uma fonte
certa e abundante.
A verdadeira riqueza
não é a água,
é a sede de a querer.
É este vazio,
esta hospitalidade
de crer beber
que me convoca
a construir.
A graça que peço
é a da sede,
que a água é certa!
A missa, mais do que solenidade, precisa de intensidade: intensidade de paz e partilha, bem entendido…
Não sei se alguma fé mais míope não rezaria o Pai Nosso, em vez, com a expressão “seja feita a Vossa vontadinha…”, contemplando certo capricho divino. Ora é um outro, este “faça-se” de Deus, que espreita em tudo o que acontece e, particularmente, na natureza abundante….
Ao longo da minha vida e ainda hoje, porventura mais ainda, sou criticado, explicita e implicitamente, com os olhos postos no meu ‘ser religioso’. Há tipicamente dois motivos de tais ‘setas’: a) porque há traços de incoerência entre o que professo e o que vivo; b) porque o Evangelho, nas suas exigências, quando vivido, tem um lado que desinstala e incomoda. O discernimento no acolhimento da crítica cristã está em saber se o feedback que vem é do tipo a) ou do tipo b). no meu caso tenho sentido como desoladora a circunstância a) e como consoladora a circunstância b). Confesso ainda que raramente me encontro em b) e muitas vezes me encontro em a). Muito ‘chão para andar’, portanto…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 17, 1-9
«o Seu rosto ficou resplandecente como o Sol»
A transfiguração de Jesus revela com clareza a filiação de Jesus. Em chave de leitura de fé, esta cena aponta-nos o Filho de Deus. Implícito, está igualmente o convite aos que, olhando Jesus, se deixam transfigurar a eles próprios. É este também o desafio que se coloca a cada um de nós: transfigurarmo-nos, reconhecermo-nos sempre buscados e vivermos como Filhos de Deus, assemelhando-nos a Ele, nesse reconhecimento e nessa forma de viver. No limite, fruto da alegria brotante de uma vida transfigurada, o nosso rosto poderá ser “resplandecente como o Sol”. Está visto que a Quaresma, enquanto caminho de regresso a Deus, não tem a ver com rostos macambúzios…
NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.
DOMINGO II DA QUARESMA
L 1 Gn 12, 1-4a; Sl 32 (33), 4-5. 18-19. 20 e 22
L 2 2Tm 1, 8b-10
Ev Mt 17, 1-9