prazer de conhecer
Importa muito que se aprenda, também pelo simples prazer de conhecer. Nem só o que se aplica e é exequível ou visível tem sentido. Gostar de aprender, gostar de ciência, é também uma positiva e estimulável «atitude intelectual».
Importa muito que se aprenda, também pelo simples prazer de conhecer. Nem só o que se aplica e é exequível ou visível tem sentido. Gostar de aprender, gostar de ciência, é também uma positiva e estimulável «atitude intelectual».
Não foi só na idade média que o grande arauto da fé foi o medo. Há ainda muitos profissionais da religião que, vendo bem, na base da sua inoportunidade, estão presos numa corrente que se chama, precisamente, medo. Ironicamente, o medo, depois de algumas voltas, é o oposto da fé.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 10, 37-42
«Quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim não é digno de Mim»
Principalmente para quem tem filhos ou filhas as palavras do Evangelho podem parecer chocantes. De facto, é difícil imaginar que se possa amar algo mais do que um filho. Pelos filhos, realmente, dão-se noites, dá-se o corpo, dá-se tudo, dá-se a vida! Poder colocar o amor por Jesus num outro patamar pode ter sentido na crença. Aqui Jesus “usa” a realidade do amor paternal e do amor maternal para colocar a fasquia da entrega transcendente como expressão de liberdade. A entrega a Deus nunca poderia ser um holocausto de diminuição. O apontamento cristão será sempre do tipo ‘quanto mais humano, mais cristão, quanto mais cristão, mais humano’. Há uma coerência humanizante e que, de alguma forma, se pode transformar num ato de fé para os pais que são cristãos: a convicção de que nesta (difícil e exigente) proposta em relação aos filhos todos, incluindo os próprios descendentes, podem ganhar. É que amando assim a pessoa de Jesus e inquietantemente repousados nos seus critérios e no seu horizonte de liberdade, ama-se mais e melhor, de facto, os próprios filhos e as filhas… Se quisermos – e generalizando para todos, tenhamos filhos ou não – estamos numa metáfora em que certo desapego (em relação aos filhos e não só), sem prejuízo de cuidado e entrega radical, pode qualificar o amor…
Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto
L 1 2Rs 4, 8-11. 14-16a; Sl 88 (89), 2-3. 16-17. 18-19
L 2 Rm 6, 3-4. 8-11
Ev Mt 10, 37-42
É o maior ato de fé e quase prescinde da explicitação transcendental, porque se torna em ‘bom negócio para a vida’: qualquer fenda pode ser entrada de luz.
Uma boa recomendação de consciência epistemológica, das mais clássicas que existe e vinda de Platão, poderia dar lastro aos cientistas: a verdade, o belo e o bem estão juntos (ciência, arte e ética…).
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 10, 26-33
«nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nada há oculto que não venha a conhecer-se»
A frase do Evangelho de Mateus é acutilante para nos colocar centralmente na preferência óbvia pela verdade, pela luz, pelo esclarecimento, pela transparência. Uma das mais radicais fragilidades da Igreja, das famílias cristãs, dos grupos católicos e de muitas relações humanas é a ignorância vivencial deste convite pela luz em cima da mesa. O resultado é catastófrico: porventura “embalados” com leituras parciais e enganosas das escrituras (como a inspiração de ‘não dar escândalo’), tantos de nós não vamos por aqui: ocultamos, jogamos, escondemos, dissimulamos, contemos, omitmos… enganamos e enganomo-nos… Tudo rebenta, mais tarde ou mais cedo, com danos muitas vezes irreparáveis. Que as dores de gestos e heranças de omissão e finta da realidade nos recordem e façam viver tendendo à verdade, mesmo que doa…
Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto
L 1 Jr 20, 10-13; Sl 68 (69), 8-10. 14-15. 33-35
L 2 Rm 5, 12-15
Ev Mt 10, 26-33
Estar grato e “regressar” à essência, precisamente agradecido. É mesmo por aqui.
O grato salva-se, os outros tiveram uma simples cura, provisória. Muita gente equivocada procura na religião curazinhas que valem até à próxima dor, pois a dor nos tece. A gratidão é o encontro, é a salvação. É a graça a pedir e buscar…
Não dizer que não, não é ser fiel, é ser escravo do sim…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Slm 99
«Ele nos fez, a Ele pertencemos»
Lemos no salmo 99 um verso forte: “Ele nos fez, a Ele pertencemos”. Aderir a este verso pressupõe um golpe de Fé, o de fazer corresponder à pergunta/desejo “eu, embora carente, existo” com uma aposta do tipo “fui e sou criado”. Esta frase tem, pelo menos, duas focagens possíveis: uma diz respeito a nós próprios, à nossa consciência de que somos “barro nas mãos do oleiro”, que somos seu templo e, portanto, nos devemos respeitar e cuidar, no corpo e no espírito, como tal. A outra implicação, não menos importante, é que este salmo é universal e, assim, todos os nossos irmãos são de Deus e a Ele pertencem. Filhos, cônjuges, familiares e amigos, bem como os mais distantes e até os “nossos inimigos”, pertencem a Deus. E se os outros não me pertencem, eu não os posso manipular como um joguete!…
Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto
L 1 Ex 19, 2-6a; Sl 99 (100), 2. 3. 5
L 2 Rm 5, 6-11
Ev Mt 9, 36 – 10, 8
Caminhamos todos (com fé – assumida – ou não) no silêncio e na cegueira. Podemos caminhar na esperança e na confiança, se nos abrirmos a esse dom. Nessa altura, a cegueira e o silêncio, que continuam, são barro nas mãos do Oleiro…