o desejo mais desejável
Podemos traduzir a máxima de Agostinho “Volo ut sis” como “Desejo que sejas”. Não há desejo mais desejável e desejado…
Podemos traduzir a máxima de Agostinho “Volo ut sis” como “Desejo que sejas”. Não há desejo mais desejável e desejado…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 18, 21-35
Não te digo sete vezes mas até setenta vezes sete
A dimensão radical de perdão constitui marca cristã. Per-doar setenta vezes sete (mais do que quarenta e nove…), é perdoar infinitas vezes. Este precioso e original convite de Jesus significa, para cada um de nós, um enorme dom de liberdade, já que perdoar é ser livre. O cerne do perdão está no não ressentimento, está na oportunidade que continuamos a dar ao outro que nos ofendeu. Quem perdoa pode repreender, afastar-se ou até punir. Exteriormente, pode até ser duro ou tanger a violência, mas no coração de quem perdoa, como no de Jesus, há espaço para (re)acolher de novo quem se quiser aproximar por bem.
NOTA: Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto.
L 1 Sir 27, 33 – 28, 9; Sl 102 (103), 1-2. 3-4. 9-10. 11-12
L 2 Rm 14, 7-8
Ev Mt 18, 21-35
Com Galileu, o cosmos medieval ficou extremamente desarrumado. Ao olhar através do telescópio, ele descobriu, além de muitas outras coisas, que por detrás das estrelas que pareciam fixas numa esfera de cristal existiam muitas outras a perder de vista, o que pôs em causa a localização do empíreo. Bertold Brecht captou admiravelmente este aspecto na sua obra Vida de Galileu Galilei, no diálogo entre Galileu e o seu jovem assistente. Tendo Galileu revelado ao jovem a existência de uma infinidade de estrelas e, por conseguinte, a inexistência do empíreo, o mesmo jovem levantou uma questão que se viria a revelar fundamental: «Onde está então Deus?» A resposta brechtiana de Galileu: «Dentro de nós, ou em lado nenhum.» Embora muito em consonância com a teologia do século XX, representa uma revolução na compreensão da relação entre Deus e o universo, uma relação que ou é relação com o humano… ou não é relação nenhuma…
A morte
Foi buscada
No sepulcro
Mas fugiu.
Não estava lá.
Mudou de lugar.
Vasculhei a morte.
Dentro e fora de mim.
Recebi notícias.
A vida andava lá fora.
A morte estava dentro de mim
A morte fugira para ser vida
Borboleta eterna…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Slm 94
«se hoje ouvirdes a voz do Senhor não fecheis os vossos corações»
O pecado (o ‘tiro’ menos certeiro) inqiueta-nos. O afastamento do amor não nos traz paz ao coração. As palavras do salmo apelam à abertura dos nossos corações, ao rasgar de espaços interiores para ao amor de Deus. Santo Agostinho exprime de forma belíssima o confronto entre a sede de infinito e a abertura a Deus. Diz ele: “Tu, Deus, fizeste o meu coração para Ti e o meu coração não terá paz se não repousar em ti”. Confrontados com os nossos limites, com os limites dos outros, com os limites do mundo, valerá a pena repousar a nossa inquietude em Deus…
NOTA: Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto.
L 1 Ez 33, 7-9; Sl 94 (95), 1-2. 6-7. 8-9
L 2 Rm 13, 8-10
Ev Mt 18, 15-20
Sou mestre em ‘opinação’ (e um tanto abusador de tal praxis). A meu favor, e sem baixar a fasquia dum esforço necessário por falar menos e ouvir mais, a opinião não tem que representar, para quem a recebe, uma vinculação. Ganhe sempre a liberdade…
Os paradigmas de ensino-aprendizagem contextualizantes são incontornáveis, mas podem desprivilegiar conceitos e bases fundamentais. Se só conceptualizar é esqueleto sem corpo, só contextualizar é alforreca sem estrutura, sem sustentação, sem futuro…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Slm 62
Encontramos no Salmo uma imagem muito real de nós próprios: “terra árida, sequiosa, sem água”. É uma descrição daquilo a que chamamos, também, desejo. O nosso coração tem uma sede eterna do eterno e esse desejo e essa carência move-nos e comove-nos, na fé e na vida. Quando as nossas apostas se dirigem ao provisório, ao precário, ao passageiro, a terra é regada mas logo seca com o Sol árido da própria vida. É a secura que se torna constante. Há que procurar, pois, para esta terra sedenta que somos, uma fonte, uma fonte de água viva. Para os cristãos, é Cristo esta nascente contínua, que nos rega a cada instante, que nos mata a secura, que nos torna carentes-desejantes-saciados, agora e para sempre. A água, convém notar, não elimina a sede: sacia mas permite a sede que vem. A fonte, essa sim, é a garantia da água abundante…
NOTA: Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto.
L 1 Jr 20, 7-9; Sl 62 (63), 2. 3-4. 5-6. 8-9
L 2 Rm 12, 1-2
Ev Mt 16, 21-27
Se me perguntassem para eu responder com poucas palavras à pergunta “para que entras numa igreja”, eu só conseguia responder com dois verbos: para abrir e para sair.
Recomeçar é um pulsar muito proprio do cristianismo mas é radicalmente insuficiente fazer mais do mesmo e, principalmente, insistir nos mesmos equívocos. Recomeçar é um apelo criativo e de mudança.