descansar
Descansa, que precisas, por todos os motivos: para cuidar de ti e para, cuidada pessoa, possas servir melhor.
Descansa, que precisas, por todos os motivos: para cuidar de ti e para, cuidada pessoa, possas servir melhor.
Há uma frase típica que me sai, pelo menos para dentro, com frequência: “aquela pessoa não quer (determinada mudança que parecia urgente para a requalificação da sua vida e das suas relações)”. Descobri um novo acrescento que me tem libertado, muito simples. Ando a dizer assim e a nuance é relevante: “aquela pessoa não quer/não pode…”. Na realidade, somos aquilo que podemos ser.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Jo 11, 1-45
Disse-lhes Jesus: “Desligai-o e deixai-o ir”
Lázaro foi revivificado por Jesus (clarifica-se que que não é uma ressureição, já que Lázaro, adiante, como outros humanos, terá morrido… e na fé ressuscitado). Lázaro é cada um de nós. Por vezes, no trajeto da nossa vida, “morremos”. E deixamo-nos atar. Ficamos presos, imobilizados, sem andar. Podemos até cheirar menos bem, a cheiro de morte. Jesus abre o nosso túmulo, e, com a colaboração de outros, tipicamente, opera que nos sejam tiaradas as ligaduras. E então somos deixados ir, lvres de ligaduras e podendo trilhar espaços de liberdade. Podemos com vantagem perguntar-nos internamente: o que nos prende? O cristianismo, ou é este desatamento, ou não é crístico.
NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.
DOMINGO V DA QUARESMA
L 1 Ez 37, 12-14; Sl 129 (130), 1-2. 3-4ab. 4c-6. 7-8
L 2 Rm 8, 8-11
Ev Jo 11, 1-45 ou Jo 11, 3-7. 17. 20-27. 33b-45
Situo-me nos que interpretam a inspiração Cristã no caldo, saboroso mas ao mesmo tempo discreto, da realidade como ela é. Ali – na realidade – sopra (ou é?) o Espírito Santo. A dissolução do cloreto de sódio, a dos Evangelhos – e a de Vieira – é analogia bem forte de como as afirmações identitárias apriorísticas e metodológicas são sal inerte que, não se dissolvendo, não se deixando rodear por moléculas de água, serve para pouco ou nada…
Há algo na crença que me atrai e que eu resumiria assim: um “qualquer coisa” diante da qual tudo o que não converge para “essa coisa” é fútil…
Há uma boa analogia do trauma como a ferida que cicatriza mas perde sensibilidade e, por vezes, havendo coragem, é preciso voltar a abrir… Sou um assumido não especialista nesta arte, mas reconheço-lhe sentido.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Slm 22
O Senhor é meu pastor: nada me faltará
O refrão do salmo pode ser colocado de uma outra forma: para que nada me falte, para ter o coração cheio de amor e sentir plenitude, é bom fazer com que Deus seja o meu pastor. Para ser feliz (é esse o desafio da fé), é bom deixar-me conduzir pelos Seus critérios, iluminar-me pela Sua luz, ir para onde Ele vai, amar como Ele ama. Todos nós temos sede e procuramos que nada nos falte. Às vezes tentamos saciar-nos do que não sacia, deixando-nos guiar por outros pastores… A verdadeira consequência deste refrão do salmo não é nem moral nem teológica: é vivencial. Quando experimentamos ter o Senhor (aqui como radical sinónimo de Amor) como pastor, nada nos falta, de facto…
NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.
DOMINGO IV DA QUARESMA
L 1 1Sm 16, 1b. 6-7. 10-13a; Sl 22 (23), 1-3a. 3b-4. 5. 6
L 2 Ef 5, 8-14
Ev Jo 9, 1-41 ou Jo 9, 1. 6-9. 13-17. 34-38
Há uma quase-tautologia que convém trazer à lembrança: para mudar temos que mudar algo.
Tensões científicas, sociais, filosóficas e teológicas se levantam no diálogo entre ciência e religião. Se a religião colidir desnecessariamente com a ciência e a cultura do nosso tempo, não consegue fazer-se entender e não atrai, já que a cultura actual, e bem, não se deixa ludibriar por discursos que sejam incompatíveis com o paradigma da sociedade do conhecimento em que vivemos. A religião é obviamente diferente da abordagem científica, mas muito perde se se apresentar como incompatível com as verdades científicas.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Jo 4, 5-42
“Dá-Me de beber” é excelente mote de Quaresma, de sinal de água no deserto do caminho. Este diálogo de Jesus com a Samaritana é, nas boas palavras de Tolentino Mendonça, o ‘elogio da sede’. A sede de Deus (o seu sonho amoroso para o mundo) transforma-se na nossa sede. As sedes unidas, a nossa e a do criador, criam as aberturas de caminho para um grande sentido: é o encontro da sede com a água viva, é o encontro do nada com o tudo, é o encontro da pequenez com a plenitude, é o encontro da morte com a vida, que estamos a preparar.
L 1: Ex 17, 3-7; Sl 94 (95), 1-2. 6-7. 8-9
L 2: Rm 5, 1-2. 5-8
Ev: Jo 4, 5-42 ou Jo 4, 5-15. 19b-26. 39a. 40-42
Samaritana
A verdadeira pérola
não é a água
mas procurar a sede
de uma fonte
certa e abundante.
A verdadeira riqueza
não é a água,
é a sede de a querer.
É este vazio,
esta hospitalidade
de crer beber
que me convoca
a construir.
A graça que peço
é a da sede,
que a água é certa!