verdade, beleza e bem
Uma boa recomendação de consciência epistemológica, das mais clássicas que existe e vinda de Platão, poderia dar lastro aos cientistas: a verdade, o belo e o bem estão juntos (ciência, arte e ética…).
Uma boa recomendação de consciência epistemológica, das mais clássicas que existe e vinda de Platão, poderia dar lastro aos cientistas: a verdade, o belo e o bem estão juntos (ciência, arte e ética…).
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 10, 26-33
«nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nada há oculto que não venha a conhecer-se»
A frase do Evangelho de Mateus é acutilante para nos colocar centralmente na preferência óbvia pela verdade, pela luz, pelo esclarecimento, pela transparência. Uma das mais radicais fragilidades da Igreja, das famílias cristãs, dos grupos católicos e de muitas relações humanas é a ignorância vivencial deste convite pela luz em cima da mesa. O resultado é catastófrico: porventura “embalados” com leituras parciais e enganosas das escrituras (como a inspiração de ‘não dar escândalo’), tantos de nós não vamos por aqui: ocultamos, jogamos, escondemos, dissimulamos, contemos, omitmos… enganamos e enganomo-nos… Tudo rebenta, mais tarde ou mais cedo, com danos muitas vezes irreparáveis. Que as dores de gestos e heranças de omissão e finta da realidade nos recordem e façam viver tendendo à verdade, mesmo que doa…
Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto
L 1 Jr 20, 10-13; Sl 68 (69), 8-10. 14-15. 33-35
L 2 Rm 5, 12-15
Ev Mt 10, 26-33
Estar grato e “regressar” à essência, precisamente agradecido. É mesmo por aqui.
O grato salva-se, os outros tiveram uma simples cura, provisória. Muita gente equivocada procura na religião curazinhas que valem até à próxima dor, pois a dor nos tece. A gratidão é o encontro, é a salvação. É a graça a pedir e buscar…
Não dizer que não, não é ser fiel, é ser escravo do sim…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Slm 99
«Ele nos fez, a Ele pertencemos»
Lemos no salmo 99 um verso forte: “Ele nos fez, a Ele pertencemos”. Aderir a este verso pressupõe um golpe de Fé, o de fazer corresponder à pergunta/desejo “eu, embora carente, existo” com uma aposta do tipo “fui e sou criado”. Esta frase tem, pelo menos, duas focagens possíveis: uma diz respeito a nós próprios, à nossa consciência de que somos “barro nas mãos do oleiro”, que somos seu templo e, portanto, nos devemos respeitar e cuidar, no corpo e no espírito, como tal. A outra implicação, não menos importante, é que este salmo é universal e, assim, todos os nossos irmãos são de Deus e a Ele pertencem. Filhos, cônjuges, familiares e amigos, bem como os mais distantes e até os “nossos inimigos”, pertencem a Deus. E se os outros não me pertencem, eu não os posso manipular como um joguete!…
Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto
L 1 Ex 19, 2-6a; Sl 99 (100), 2. 3. 5
L 2 Rm 5, 6-11
Ev Mt 9, 36 – 10, 8
Caminhamos todos (com fé – assumida – ou não) no silêncio e na cegueira. Podemos caminhar na esperança e na confiança, se nos abrirmos a esse dom. Nessa altura, a cegueira e o silêncio, que continuam, são barro nas mãos do Oleiro…
A ideia de que o universo era um todo ordenado e, por isso, racionalmente explicável, levou Aristóteles a elaborar uma complexa, mas coerente cosmologia. Segundo ela, os corpos celestes eram incorruptíveis, imutáveis e perfeitamente esféricos. Só no espaço entre a Lua e Terra havia mudança e corrupção. As estrelas estavam fixas numa esfera cristalina, por detrás da qual se situava o primeiro motor ou motor imóvel que explicava o movimento, não só da esfera das estrelas fixas, mas também das esferas nas quais estavam incrustados os planetas, a Lua e o Sol. Havia nesta concepção muita observação empírica conduzida por astrónomos capazes de calcular os equinócios e os solstícios, os eclipses do Sol e da Lua, etc. Havia também muita especulação filosófica. Os cristãos medievais adicionaram a esta cosmologia grega a teologia cristã, colocando o empíreo, ou seja, a habitação dos anjos e dos santos, por detrás da esfera aristotélica das estrelas fixas e imaginando que o inferno estava no interior da Terra. Uma tal cosmologia cristã parecia também estar em pleno acordo com a narração bíblica. Esta perspectiva integradora da filosofia e do conhecimento empírico era natural, pois existia também em outras civilizações. A cosmologia aristotélica, com muitos outros conhecimentos, científicos e não só, foi coerente, mas já não é. Nenhum problema com o dinamismo epistemológico mas a teologia tem de se saber redizer num mundo de conhecimento em evolução…
Inspira-me sempre a “ovelha perdida” do Evangelho. Ali se rasga Deus como arriscador … Deixa-nos e abandona-nos para arriscar a radical misericórdia personalizada. Desta liberdade nos alimentamos.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 9, 9-13
«Por que motivo é que o vosso Mestre come com os publicanos e os pecadores?»
Convém sempre relembrar e sublinhar esta passagem do Evangelho, em que se relata o encontro de Jesus com Mateus, cobrador de impostos. O facto de Jesus se dar, se aproximar, acolher e aprender com ‘gente de má vida’ (leia-se, com todos e com cada um de nós) pode ecoar naqueles que confundem a proposta cristã com qualquer vestígio de puritanismo seletivo. A expressão algo em voga de ‘gente de bem’, encerra, em si mesma, o avesso deste trecho evangélico. Jesus vem para todos mas a originalidade da sua revelação é a universalidade do acolhimento, a preferência pelas margens, pelas periferias sociais, pelos excluídos. É este também o devir da Igreja que, ao mesmo tempo, muito ganha se for somado a certa humildade-verdade de nos reconhecermos todos, também nós, seres carentes e de periferia… Estamos no âmago de uma mensagem, no mínimo, não-populista…
L 1 Os 6, 3b-6; Sl 49 (50), 1 e 8. 12-13. 14-15
L 2 Rm 4, 18-25
Ev Mt 9, 9-13
De cada dia colhemos o tudo e o nada, a chave e a porta, mas principalmente a abertura.